quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Para Olimpíada podem ser a "redenção" brasileira - Revista Época

Depois do desempenho decepcionante da delegação olímpica em Pequim, o Brasil vai às Paraolimpíadas com vários favoritos ao ouro e boas chances de ficar entre os dez primeiros no quadro geral de medalhas.
Margarida Telles
A participação do Brasil nas Olimpíadas de Pequim ficou abaixo do esperado, com um modesto 23º lugar, mas o país pode se redimir a partir deste sábado (6), quando começam os Jogos Paraolímpicos, também na capital chinesa. Se no cenário olímpico ainda somos coadjuvantes, muitos dos nossos atletas com deficiência vão para a China com chances de ouro e devem superar o desempenho nas Paraolimpíadas de Atenas-2004, quando o Brasil ficou em 14º entre 146 países participantes, com 33 medalhas (14 de ouro) – nossa melhor colocação na história da competição.

Embora o Comite Paraolímpico Brasileiro não faça projeções da campanha em Pequim, há uma boa chance de o país figurar pela primeira vez entre os dez mais bem colocados no quadro de medalhas.

Uma das maiores promessas de medalhas é o nadador mineiro Daniel de Faria Dias, de 20 anos, que vai estrear nos Jogos. No Parapan do Rio de Janeiro, em 2007, ele ganhou oito medalhas de ouro, o mesmo feito conseguido pelo nadador Michael Phelps em Pequim. Nas Paraolimpíadas, Daniel não terá como repetir a façanha do fenômeno americano, mas poderá levar para casa até cinco ouros. Com má formação congênita dos membros superiores e da perna direita, ele detém os recordes mundiais nas provas de 100m e 200m livre, 100m costas e 200m medley.

O atleta começou a nadar somente aos 16 anos. Seu pai, Paulo Dias, procurou a Associação Desportiva para Deficientes (ADD), em São Paulo, após ouvir uma palestra sobre inclusão social por meio do esporte. Depois de aprender todos os estilos da natação, o filho matriculou-se em uma academia de Bragança Paulista (SP).

Até ver pela TV os Jogos de Atenas, Daniel nem sabia que existiam esportes paraolímpicos. Agora, ele deve dividir o papel de destaque da delegação brasileira, ao lado do também nadador Clodoaldo Silva, ganhador de seis ouros em Atenas. Clodoaldo, que tem os movimentos das pernas comprometidos por uma paralisia cerebral na infância, chegou a ameaçar não participar dos Jogos, por conta da exigência do Comitê Paraolímpico Internacional para que seu grau de deficiência fosse reavaliado. Ele mudou da categoria S4 para S5, de atletas com menor dificuldade de locomoção, mas o Comitê Paraolímpico Brasileiro recorreu e será feita uma nova avaliação nesta sexta-feira (5). Se ele tiver mesmo de ficar na classe S5, não deverá conseguir repetir o desempenho de Atenas.

A delegação paraolímpica na China é a maior do Brasil na história dos Jogos e vai competir em 17 das 20 modalidades existentes (confira quadro no fim da página 2). Serão 188 atletas na China, 85 a mais que em Atenas-2004 e quase o triplo dos que foram a Sydney-2000. A expectativa de um bom desempenho em Pequim confirma a evolução dos atletas paraolímpicos brasileiros. Na primeira participação, em Munique-1972, não ganhamos nenhuma medalha, mas desde Atlanta-1996 a classificação brasileira no quadro de medalhas só melhora (confira o gráfico abaixo). O país que ficou no topo em Atenas foi a China, que obteve 141 medalhas (63 de ouro).

Outra estrela da natação paraolímpica brasileira é a paulista Fabiana Sugimori. Aos 27 anos, ela estreou nos Jogos em Atlanta-1996. É a atual bicampeã nos 50m livre e detém o recorde mundial da prova. Sobre as expectativas para Pequim, Fabiana prefere ser cautelosa. “É uma prova de velocidade. Às vezes uma batida de mão é decisiva.”

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