quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Na cadência de Obama

O que o primeiro candidato negro com chance de chegar à Casa Branca representa para o mundo político e as relações raciais no Brasil


Por causa do tamanho da economia americana e da influência cultural e política dos Estados Unidos, toda eleição para a Casa Branca mobiliza atenções no mundo inteiro. Em 2008, essa situação é reforçada por dois fatores. Um deles envolve o desgaste do presidente George W. Bush, às voltas com uma guerra impopular no Iraque e com uma crise econômica cuja profundidade ainda não é conhecida. A outra razão é a presença de Barack Obama na campanha – um personagem que representa a quebra de um tabu na História. Aclamado candidato democrata numa convenção que reuniu 45 mil pessoas em Denver, capital do Estado do Colorado, Obama tornou-se na semana passada o primeiro candidato negro a disputar a Presidência dos Estados Unidos com chances reais de vitória.

Mesmo considerando a árdua tarefa de derrotar o candidato republicano, John McCain, nas eleições de novembro, Obama já é uma personalidade que marca a política mundial deste início de século XXI, dentro e fora de seu país. Há um mês, na Alemanha, reuniu 200 mil pessoas num comício. Sua passagem por Paris foi assunto de vários dias. Na África, terra natal de seu pai, onde vive a avó materna e vários irmãos, a campanha de Obama recebe uma atenção especial. No Brasil, que abriga a maior população negra fora da África, seu nome desperta uma curiosidade que não se via desde 1960, na eleição de John Kennedy.

Num esforço para medir o impacto da personalidade de Obama entre os políticos brasileiros, ÉPOCA realizou em Brasília uma enquete com 208 deputados e 50 senadores. Foi um levantamento simples, sem o rigor metodológico que marca uma pesquisa científica, mas que contém respostas reveladoras. Dois terços dos políticos entrevistados responderam “sim” ao item que indagava se acompanhavam a candidatura de Obama nos Estados Unidos. Trinta por cento disseram que tratam desse assunto com seus eleitores. Quando ÉPOCA quis saber se eles admitem a hipótese de um candidato negro disputar a Presidência do Brasil em 2010 ou em 2014, uma surpreendente maioria de 90% dos entrevistados disse “sim

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