quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Pagode de "Boleiros"

Fenomenalmente Gordo? Não que isso!


Foi levantar peso "Cagou pra tras"


A volta do GUERREIRO AZUL!


Quem é a nova classe média do Brasil?

A nova classe média do Brasil

Como vivem esses 100 milhões de brasileiros e o que eles representam para o futuro do país
David Friedlander, Ivan Martins e Peter Moon, com Martha Mendonça e Ricardo Mendonça
Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 11/agosto/2008.


PODER DE CONSUMO
A manicure Josineide mora na Rocinha, compra roupas da moda, tem dois celulares e quer mais um“Classe média, eu?” A idéia surpreende Josineide Mendes Tavares, uma manicure de 34 anos, moradora da Rocinha, a favela mais conhecida do Rio de Janeiro. Sua freguesia, formada por mulheres da zona sul, que Josineide atende em domicílio, proporciona uma renda de R$ 1.500 a R$ 2 mil por mês. Ela e os dois filhos pequenos vivem numa casinha de 35 metros quadrados. Lá dentro, ela tem uma televisão de tela plana de 29 polegadas, nova, equipada com serviço de TV por assinatura e DVD. Fãs de Cartoon Network e Discovery Kids, as crianças assistem à televisão sentados nas cadeiras de uma pequena mesa de jantar, porque na sala apertada não cabe um sofá. O fogão de quatro bocas é antigo, mas o freezer e a geladeira Josineide acaba de comprar. Na laje, um extenso varal com roupas da moda e uma lavadora de última geração. “Compro tudo em parcelas a perder de vista”, diz ela. Ainda faltam um computador e um videogame. Ah!, sim. Josineide quer mais um celular. Ela já tem dois, mas diz precisar do terceiro para estar sempre à disposição da clientela.

Josineide e os filhos formam uma família típica da nova classe média brasileira, segundo uma pesquisa divulgada na semana passada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), do Rio. De acordo com esse estudo, nos últimos seis anos cerca de 20 milhões de brasileiros deslocaram-se da base para o miolo da pirâmide social. Até há pouco tempo classificados como pobres ou muito pobres, eles melhoraram de vida e, como Josineide, começam a usufruir vários confortos típicos de classe média. Sua ascensão social revela uma excelente novidade: pela primeira vez na História, a classe média passa a ser maioria no Brasil. São hoje 52% da população (eram 44% em 2002) – ou 100 milhões de brasileiros, segundo a FGV.

Essa população emergente, com seu desejo de continuar a consumir e seu foco no progresso pessoal, é um sintoma de que o Brasil está melhorando. Em todos os países que alcançaram um alto grau de desenvolvimento econômico e social, a maioria dos habitantes pertence à classe média. Conhecer a nova classe média brasileira é, portanto, fundamental para entender o futuro do Brasil. Quem são essas pessoas? Como melhoraram de vida? Que impacto podem provocar? Quais desafios trazem para o país?

O economista Antônio Delfim Netto, ex-ministro nos governos militares, diz que a ascensão social em curso é do “mesmo gênero” que a ocorrida nos anos 60 e 70. “Criaram-se empregos industriais com bons salários, que permitiram à população comprar bens a que antes ela não tinha acesso”, diz Delfim. A diferença é a ordem de grandeza. A população brasileira aumentou, mudou do ponto de vista educacional e atravessou uma revolução demográfica que reduziu o tamanho da família. “Menos importante que o tamanho da renda é o povo sentir que progrediu”, afirma Delfim. “A soma de salário e crédito abundante permite que elas comprem bens de classe média.” Essa dinâmica, diz ele, cria a possibilidade de expansão ainda maior da economia, movimenta o mercado e põe mais gente no elevador social.

Na cadência de Obama

O que o primeiro candidato negro com chance de chegar à Casa Branca representa para o mundo político e as relações raciais no Brasil


Por causa do tamanho da economia americana e da influência cultural e política dos Estados Unidos, toda eleição para a Casa Branca mobiliza atenções no mundo inteiro. Em 2008, essa situação é reforçada por dois fatores. Um deles envolve o desgaste do presidente George W. Bush, às voltas com uma guerra impopular no Iraque e com uma crise econômica cuja profundidade ainda não é conhecida. A outra razão é a presença de Barack Obama na campanha – um personagem que representa a quebra de um tabu na História. Aclamado candidato democrata numa convenção que reuniu 45 mil pessoas em Denver, capital do Estado do Colorado, Obama tornou-se na semana passada o primeiro candidato negro a disputar a Presidência dos Estados Unidos com chances reais de vitória.

Mesmo considerando a árdua tarefa de derrotar o candidato republicano, John McCain, nas eleições de novembro, Obama já é uma personalidade que marca a política mundial deste início de século XXI, dentro e fora de seu país. Há um mês, na Alemanha, reuniu 200 mil pessoas num comício. Sua passagem por Paris foi assunto de vários dias. Na África, terra natal de seu pai, onde vive a avó materna e vários irmãos, a campanha de Obama recebe uma atenção especial. No Brasil, que abriga a maior população negra fora da África, seu nome desperta uma curiosidade que não se via desde 1960, na eleição de John Kennedy.

Num esforço para medir o impacto da personalidade de Obama entre os políticos brasileiros, ÉPOCA realizou em Brasília uma enquete com 208 deputados e 50 senadores. Foi um levantamento simples, sem o rigor metodológico que marca uma pesquisa científica, mas que contém respostas reveladoras. Dois terços dos políticos entrevistados responderam “sim” ao item que indagava se acompanhavam a candidatura de Obama nos Estados Unidos. Trinta por cento disseram que tratam desse assunto com seus eleitores. Quando ÉPOCA quis saber se eles admitem a hipótese de um candidato negro disputar a Presidência do Brasil em 2010 ou em 2014, uma surpreendente maioria de 90% dos entrevistados disse “sim

Bernardinho: "Lidar com a dor de um filho é impossível" - Revista Época

Técnico da seleção vice-campeã olímpica diz que um dos momentos mais difíceis da derrota foi ter que abraçar o filho "como treinador, e não como pai"
JANAINA TUPAN FRARE, DE PEQUIM
Bernardinho procurou aparentar calma no que pode ter sido sua última entrevista coletiva como técnico da seleção brasileira. Pegou um pedaço de papel plastificado e contou uma história: que o poema escrito naquele papel, de Rudyard Kipling, foi lido pelo próprio pai para ele; que ele o leu para Bruno, por ter sido seu primeiro filho; e que o leu para seus jogadores também. Bruno - e, claro, seu antecessor na seleção, Ricardinho - foram dois temas inevitáveis da entrevista. Bernardinho lembrou o Pan, quando tomou a difícil decisão de cortar seu levantador titular e convocar o próprio filho, correndo o risco de ser acusado de protegê-lo. A seguir, a íntegra da entrevista.

Você vai continuar?
Bernardinho: Acho difícil num momento como este falar em ficar ou não ficar. Acho que temos que pensar com calma nas coisas da vida. Há 24 anos eu joguei a minha primeira decisão olímpica contra os Estados Unidos. É um longo período de decisões. Vamos pensar. Se eu puder de alguma forma contribuir para a continuidade eu vou continuar. A minha tristeza é por não ter conseguido o ouro, mas mais pela razão de alguns jogadores saírem. E perder o convívio é uma coisa que pra mim, particularmente... são oito anos juntos de um convívio muito intenso. Isso pra mim é a parte mais dura desse dia. Acho que o saudosismo e a tristeza vêm por isso. Fica a frustração com a questão da derrota, claro, mas você vai pra casa com a medalha de prata. Quem ganhou a medalha de bronze sai na foto com a expressão feliz porque ganhou, vem de uma vitória... sobre a minha permanência é uma coisa a se pensar, não tem nenhuma posição até o momento. Se eu for o profissional adequado para continuar e contribuir com a continuidade e muita coisa que eu tenho aprendido ao longo do tempo, ok. Senão, é hora de trazer alguém que possa trazer mais coisas,


Você tem uma expectativa do que vai fazer daqui pra frente? E essa seleção, como é que fica?
Bernardinho: A seleção provavelmente alguns jogadores devem deixar. É um processo natural de algum tipo de renovação. Uma boa base vai continuar, então eu acho que o nível de continuidade e de competitividade vai seguir. Quanto à minha permanência, vamos pensar. Pensar se é melhor para o time, se é o melhor para a estrutura do trabalho... Tenho que ter um tempinho pra pensar, respirar. Mas sem o fico-não-fico. Nada disso. É conversar, ter calma. Avaliar, porque eles chegaram e disseram que o Brasil havia sido a referência deles por muitos anos. Nós fomos a própria referência nesses anos todos. É muito difícil você ser a própria referência durante muito tempo e tentar de alguma maneira estar sempre crescendo, ir subindo, enfim, é uma coisa que a gente precisa. Hoje faltou até confiança em certos momentos, que nós recuperamos, fizemos, mas mostramos luta, determinação, um time que veio de uma Liga Mundial jogando mal, jogou muito melhor aqui. Os jogadores me disseram que o Brasil ganhou da Itália capenga, mas aí eles ganharam da Sérvia mais capenga ainda, por 3 x 2, e era o time a ser batido. Essa coisa de você poder analisar com frieza, com dados efetivamente. Com vitórias, derrotas, conquistas e eventuais crises que aconteçam e não...
O assistente técnico (dos Estados Unidos), aquele senhor, o mais velho, me deu um livro no ano passado chamado "Integridade" e hoje, nessa competição, o técnico deu uma noção disso. Falou: "O que é prioridade para vocês?". Família, família é nossa prioridade. Mas nós estamos sempre colocando o nosso trabalho na frente da família. Dinheiro na frente da família, o trabalho, o que quer que seja, os profissionais. Ele colocou a família. Ele voltou quando houve a consciência de acertar. Ou seja, ele deu o exemplo de integridade verdadeira. Já tinham acontecido situações em 88 com técnicos americanos, enfim, coisas dessa natureza que eu acho importante como lições de vida, como lições muito maiores. E o que eu levo certamente, vou dizer a vocês o que eu disse ali, eu sou muito sincero, sei que não vou conviver no próximo ano com o Gustavo, que disse que sai, com alguns outros jogadores, e são jogadores, pessoas que eu aprendi a gostar, querer bem.

Puxa vida, vai ficar faltando alguma coisa. Vida que segue. Você se afasta, você fica triste. Então, neste momento, queria que eles tivessem concluído, sinceramente, até porque eu não vou levar medalha nenhuma, mas eu queria demais que eles tivessem concluído com o ouro. Foi o que eu disse: "Puxa vida, o momento é ruim, é triste, mas uma prata olímpica... Se falasse lá atrás com cada um de vocês aonde é que nós estávamos? Estávamos classificados pra uma quarta-de-final de uma Olimpíada. Se eu dissesse pra vocês vamos trabalhar nos próximos oito anos e vamos conquistar isso aqui. Alguns de vocês diriam, não, não, é pouco, vou ficar frustrado no final." Então não pode haver (frustração). Precisa ser feito um balanço geral, puxa vida, e ver que foi feito muita coisa. Numa partida aqui e ali, tivemos a chance no quarto set, 21 a 17, e o tie-break seria o desfecho que eu queria. Fazer o tie-break com os Estados Unidos seria fantástico, mas lutas, tentativas, algumas mudanças e é normal. O André Nascimento, por exemplo, foi o cara que nos manteve na partida contra a Rússia. Jogou uma partida fantástica. Hoje ele esteve um pouco abaixo, estava bem marcado. Mas não tem como o cara ser perfeito sempre.

Você lembrou tantas vitórias e derrotas. Só as vitórias já não garantiriam você na seleção?
Bernardinho: A garantia, quem é que me dá a garantia? O presidente? Eu acredito que ele me dê. Mas acho assim que tem de ser uma coisa assim de futuro. Não adianta ficar só olhando o passado. Feito isso, o que eu aprendi que podemacrescentar coisas pra frente ao Brasil? Vou ter essa disposição de continuar na caverna, as pessoas dizem que estou branco demais, porque fico ali, envolvido? Eu tenho que ver isso também. Eu vou voltar com a mesma paixão, a mesma coisa? Em princípio sim. Eu não me vejo longe das quadras, mas é um momento de calma. Agora fica aí uma coisa bombástica, fica ou não fica, sai ou não sai, não quero de forma nenhuma criar uma (expectativa). Eu estou ainda, vou continuar trabalhando, não sei se vai rolar Copa América ou não, tem muita garotada pra gente ver, muito trabalho pra ser feito, mas vamos ver o que é melhor para quatro anos no sentido do próximo ciclo, né? Foram feitos oito anos aí de trabalho, crescimento, planejamento. Isso é o que a gente tem que ter em mente. Acho que com calma a gente...

Durante o campeonato inteiro você, como pai e treinador, você preservou o Bruno de correr o risco? Você não acha que poderia ter arriscado mais com ele neste jogo, principalmente por ele ter entrado muito bem no terceiro set?
Bernardinho: Alguns me disseram que eu era maluco de colocá-lo nas situações mais... nas fogueiras. Digo assim alguns, mas comentaram numa boa. Eu como pai fico orgulhoso de ver a personalidade e a coragem dele e ele vai mesmo por tudo o que passou e por todas as questões como entrou e tal. Isso assim, óbvio que como pai isso me orgulha. Como treinador acho que é um garoto que tem plenas condições. Eu não acho que o ponto tenha sido de forma alguma o Marcelo em algum momento. Alguns jogadores nossos, por exemplo, pra dizer, pra detectar um lance, estava 20 a 17, aí nós perdemos um contra-ataque do Murilo, aí o Giba errou uma bola, aí jogaram um bloqueio simples pra fora, quando eles empatam o jogo. Poderíamos ter aberto ali. Uma bola muito bem levantada com bloqueio simples.

O que aconteceu, eu achei que foi o seguinte: eles marcaram muito bem o Canha (apelido de André Nascimento), perdemos uma peça, a troca do Samuel... talvez não estivesse tão pronto para isso aí. O Dante vinha jogando, era uma coisa que tínhamos previsto lá atrás também, vinha jogando assim na Grécia, era uma tentativa que deu certo no quarto set. Eles podiam ter levado ali. Aí o saque não entrou, não encaixou muito bem. O saque não entrou como deveria. O Giba não sacou bem, o Dante não sacou bem. Perdemos o Canha no saque, que ele sacou um pouco mais. Não acho que era mexer não. Pensei em deixá-lo um pouco mais, mas de forma alguma, preservar. Você vê que ele só entrou aqui em pepino. Poderia deixá-lo um pouquinho mais. Poderia. Poderia ter feito tantas coisas. Certamente é nisso que eu vou pensar agora. No sentido assim... não no "Ah! Poderia ter levado a medalha", mas para lá na frente me tornar um treinador melhor. Acho que esse aí é o objetivo.

Você falou que aprendeu uma lição lá com os Estados Unidos há 20 anos e agora tem outra. Queria que você falasse o que foi aquela e se hoje já dá para tirar alguma coisa ou é uma lição que vai ser meio devagar...
Bernardinho: Não. Dá para tirar muita coisa, mas o que eu acho que é importante é que há 24 anos nós perdemos para uma seleção que começou a transformar o voleibol ali e nós tivemos os nossos problemas e acabamos que não conseguimos jogar ali. Esse time não. Esse time jogou. Jogou ponto a ponto, teve a chance de ir para o tie-break, teve a chance de recuperar um segundo set perdido, de igualar. Saque uma hora do bruno na frente, o cara deu um totozinho pra cá e o time estava mexendo. Então esse time jogou. Jogou igual. Aprendeu. Lutou. Perdeu. Acho que caiu em pé, não teve essa de abaixou a cabeça... acho que teve lições táticas de um time que disse que tinha como objetivo o Brasil.

Durante quatro anos miraram. Oito anos. Miraram na gente, miraram na gente. Então agora temos que ter a humildade suficiente para dizer "o que eles têm agora que estão superiores a gente?" Então aqui eles estão. O nosso trabalho lá é imaginar que o voleibol brasileiro, se fizer um somatório aí, vai continuar. Estados Unidos ganhou na praia também (a dupla americana Rogers e Dolhausser derrotou a dupla brasileira Márcio e Fábio). Mas o Brasil tem renovação? Tem. Tem bastante gente como eles têm, mas alguns times que apresentaram, coisas que nós vamos ter que aprender.

Quando eu cheguei, olhei... o que existe de melhor no mundo? É poder tirar um pouquinho de cada um. Se a gente foi se aprimorando e aperfeiçoando, quer dizer, a referência passou a ser logo o Brasil. A gente olhava para o lado e via que estava um pouquinho melhor. Então agora é a hora. Eles estão melhores aqui, então é a hora de refazer. A gente pode trabalhar. Então é o que a gente vai fazer. Lições, lições, várias lições importantes. Acho que tem que aprender. Voltar pra casa, com a cabeça no lugar, ajeitar algumas coisas também, enfim, voltar pra vida.

Na quadra a gente sentiu um jogo quente. Você acha aí que é uma rivalidade que está nascendo para os próximos quatro anos?
Bernardinho: É possível, mas temos outros times aí. A Rússia é um time forte, fantástico. É um time que também vai estar nessa briga aí. É um lugar que vai ter muita gente. Então não vejo só a gente. Tem Bulgária também... Eles têm o jeito deles de jogar, mas eu tenho um respeito muito grande pela comissão técnica. Estão há muito tempo ralando. E esta é uma geração que, se você parar pra olhar, puxa vida, Ball.... nossa, jogadores superfantásticos, mas a primeira conquista dos caras foi essa. Então merecem. Merecem porque tinham plantado isso de qualquer forma, mas não tinham colhido ainda. Mas eu tenho um grande respeito por eles pelo trabalho, pela seriedade do trabalho deles. Acertaram uns pontos de bloqueio, isso irrita, passa, mas depois está tudo certo. Sem problemas. Então eu passei ali, cumprimentei sinceramente, porque eles merecem ser cumprimentados e.... vida que segue. Ele disse (o técnico norte-americano) que não queria falar muito, mas eu respondi "É o seu momento. Eu estou aqui como coadjuvante do cara que é o campeão olímpico". Então trata-se como coadjuvante, com respeito.

Depois de perder o segundo set parece que o time deu uma parada...
Bernardinho: Não sei. O time lutou, fez. Fica tentando achar uma razão na vibração acho difícil. Houve inúmeras tentativas, olha o terceiro e quarto set como foram. No quarto set eles abriram um pouquinho e nós chegamos de novo. Mas tentar ficar diagnosticando é o seguinte... uma pessoa passa mal e aí... é fundo nervoso. Em vez de chegar e falar vamos fazer um exame aqui, outro ali pra saber a razão desta dor que você está sentindo? Qual a razão eventualmente pela coisa não ter funcionado? Mas, cair para o lado emocional é a primeira opção.

O Marcelinho desabou agora no final, chorou bastante, falou que foi um ano de muita pressão. O que você poderia falar pra ele?
Bernardinho: Pra ele? Pra ele agradecer. Ele suportou a pressão. Levou o Brasil ao título da Copa do Mundo, ao título dos Jogos Pan-Americanos, que tínhamos perdido em 2003, quando o time era ainda mais completo. Enfim, não ganhamos a Liga Mundial, mas chegamos à final olímpica. E alguns até duvidavam -- dúvidas podem até existir, não estou aqui criticando -- e ele fez o trabalho dele de maneira mais do que honrosa, de maneira positiva e eu só tenho a agradecer. Está triste porque ele queria mais. Queria o ouro, queria a vitória, ele tinha um bom time nas mãos. Alguns comentaram entre eles "Eu deveria ter rodado mais", "Eu poderia ter feito um pouco mais", como no jogo contra a Rússia, quando vários disseram. O Canha virando bola, o André Nascimento disse "nós não ajudamos o Canha". Foi um pouco do sentimento deles. Não há apontar dedos. Ah! Cada um assume sua responsabilidade, teve quem errou um pouco mais, outro menos e no final, a somatória, a frustração de hoje.
Eu fico triste pela tristeza dele. O Bruno desabou porque também fica na cabeça dele "Será que eu não devia estar aqui, devia estar outro?". Não sei que tipo de pensamento passa, mas eu só posso agradecer e sentir orgulho deles todos. Não só como pai, como o cara mais velho, até a palavra da reunião ontem num texto que o Giba leu foi de orgulho. Orgulho de fazer parte deste grupo. E isso é o que realmente fica. O time trabalhou, o time lutou, o time fez, brigou entre si, como todo mundo briga, mas buscando o melhor, se respeitando, como dizem os espartanos – eles dizem ter um guerreiro ao seu lado o tempo todo. E os caras tiveram um guerreiro ao lado deles o tempo todo. Nunca houve um tipo de responsabilização do outro. Muito pelo contrário. Então acho que cada um reage de uma maneira, um vai para o vestiário e chora, mas o mais importante é ele ter consciência de que ele Fez o melhor. Ele é um medalhista olímpico e um cara que fez muito pelo Brasil.

Dá para imaginar qual vai ser o tamanho da renovação deste grupo, Bernardinho? Não por causa de hoje, mas por causa da saída de alguns atletas?
Bernardinho: Eu acho que temos aí perfeitamente para ficar... Murilo, que fez uma excelente Olimpíada, Dante, Rodrigão, André Heller, possibilidade também do Gustavo sair, mas precisa de vontade, de disposição para os caras. Canha. São jogadores de 26, 27, 28 anos, no máximo, que têm condições de continuar. Principalmente Bruno, Samuel, Anderson.... então... e o Giba, a ver. Precisamos dar uma equilibrada no ombro dele. Coisas de antes. Ele veio até muito equilibrado. Talvez ano que venha seja ano de dar uma geral, 2010 tem Copa do Mundo (o Mundial de vôlei), então, tem que se rever, né? Difícil, né, dar um tamanho, mas dei aí uma noção do que pode acontecer. Tem uma garotada pra gente olhar.